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Roza
Joel
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Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do
rio. Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos Que a vida
passa, e não estamos de mãos enlaçadas. (Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida Passa e não
fica, nada deixa e nunca regressa, Vai para um mar muito longe, para
ao pé do Fado, Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos,
porque não vale a pena cansarmo-nos. Quer gozemos, quer não gozemos,
passamos como o rio. Mais vale saber passar silenciosamente E sem
desassosegos grandes.
Sem amores, nem ódios, nem paixões que
levantam a voz, Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, E sempre
iria ter ao mar.
Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, Mas que mais
vale estarmos sentados ao pé um do outro Ouvindo correr o rio e
vendo-o.
Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as No colo, e
que o seu perfume suavize o momento - Este momento em que
sossegadamente não cremos em nada, Pagãos inocentes da decadência.
Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-as de mim depois Sem
que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, Porque nunca
enlaçamos as mãos, nem nos beijamos Nem fomos mais do que crianças.
E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, Eu
nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. Ser-me-ás suave à memória
lembrando-te assim - à beira-rio, Pagã triste e com flores no regaço.
(F. Pessoa)
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Jeri -
2007 |

Tatajuba -
2007 |
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Não sei se é amor que tens, ou amor que
finges, O que me dás. Dás-mo. Tanto me basta. Já que o não sou
por tempo, Seja eu jovem por erro. Pouco os deuses nos dão, e
o pouco é falso. Porém, se o dão, falso que seja, a dádiva É
verdadeira. Aceito, Cerro olhos: é bastante. Que mais
quero?
(Fernando Pessoa) |
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